Analisar provas anteriores é útil, mas existe uma diferença grande entre observar um padrão e publicar uma estatística. Eu prefiro deixar essa diferença explícita. Se eu digo que determinado assunto apareceu em uma amostra, preciso informar qual foi a amostra. Se eu ainda não tenho um corpus público e auditável, não apresento percentuais exatos.
Neste artigo eu mostro o método que uso para transformar provas anteriores em um mapa de estudo. O objetivo não é prometer que uma banca repetirá o passado; é extrair sinais úteis sem extrapolar o que os dados permitem.
1. Primeiro eu separo edital de histórico
O edital define o universo possível da prova. O histórico ajuda a decidir onde eu coloco mais atenção dentro desse universo. Eu nunca removo um tópico apenas porque ele não apareceu nas poucas provas que consultei.
Minha regra é: edital decide o que pode cair; provas anteriores ajudam a entender como pode ser cobrado.
2. A ficha que eu uso para cada questão
| Campo | O que registro |
|---|---|
| Prova | Órgão, cargo e ano |
| Banca | Fundatec |
| Assunto | Excel, Word, Windows, Internet, Segurança etc. |
| Subassunto | Ex.: referências, fórmulas, atalhos, e-mail |
| Versão | Ex.: Windows 10, Microsoft 365, quando informado |
| Tipo de cobrança | Conceito, procedimento, interpretação de tela, atalho, fórmula |
| Pegadinha | Troca de termos, exceção, detalhe de versão, alcance de recurso |
| Fonte | Link ou identificação da prova oficial |
3. O que eu considero uma evidência forte
Uma única questão não autoriza dizer que algo é ‘o que mais cai’. Para falar em frequência, eu preciso de várias provas comparáveis e um critério consistente de classificação. Além disso, a composição dos cargos influencia bastante: um conjunto com cargos administrativos pode ter perfil diferente de um conjunto com cargos técnicos.
Por isso, quando não há uma amostra formal, eu uso expressões como apareceu nas provas consultadas, é um tópico recorrente no material analisado ou é um assunto importante do edital. Isso é mais preciso.
4. Padrões qualitativos que eu procuro
Mesmo sem calcular percentuais, provas anteriores permitem identificar padrões de construção das alternativas. Eu procuro especialmente:
- troca entre funções parecidas do Excel;
- atalhos muito próximos entre si;
- conceitos que mudam conforme a versão do software;
- afirmações absolutas com palavras como ‘sempre’ e ‘nunca’;
- confusão entre segurança preventiva e recuperação;
- diferenças entre comportamento padrão e exceções.
5. Exemplo de análise: Excel
Suponha que uma questão apresente =CONT.SE(B2:B10;"Aprovado"). Eu não registro apenas ‘Excel’. Registro Excel → funções condicionais → CONT.SE → interpretação de sintaxe. Se a alternativa errada usa SOMASE, registro também ‘pegadinha: contar x somar’.
Essa classificação detalhada é mais útil do que um rótulo amplo porque aponta exatamente o que precisa ser revisado.
6. Exemplo de análise: Windows
Se a questão cobra Ctrl + Shift + Esc, eu registro ‘Windows → atalhos → Gerenciador de Tarefas’. Depois valido o comportamento em documentação oficial da Microsoft. Isso evita reproduzir um erro apenas porque ele apareceu em um resumo de terceiros.
7. Exemplo de análise: segurança
Em Segurança da Informação, eu separo ameaça, controle e objetivo do controle. Backup não impede ransomware; ele pode reduzir o impacto da perda se houver cópias recuperáveis. MFA não criptografa dados; ela adiciona fatores ao processo de autenticação. Essa separação ajuda a detectar alternativas exageradas.
8. Questão autoral para treinar o método
Uma prova afirma: ‘A navegação privada torna o usuário invisível para o provedor de internet’. Como eu analiso?
Assunto: Internet e navegadores.
Subassunto: navegação privada.
Tipo: alcance de recurso.
Problema: a afirmação atribui ao modo privado uma proteção que ele não oferece.
Conclusão: item incorreto.
O ponto de aprendizagem não é decorar ‘errado’. É memorizar o limite: o modo privado reduz determinados registros locais do navegador; não cria anonimato total na rede.
9. Como eu construo um plano com as provas
- Faço uma prova inteira sem consulta.
- Classifico cada erro por assunto e subassunto.
- Marco se o erro foi de conteúdo, versão, leitura ou distração.
- Reviso o conceito mínimo.
- Resolvo um novo bloco só daquele subassunto.
- Volto depois para uma bateria mista.
10. Critério para futuras pesquisas quantitativas do AderConcurso
Quando eu publicar uma pesquisa com percentuais, a página deverá informar obrigatoriamente: quantidade total de questões, lista ou universo das provas, período, cargos incluídos, critérios de exclusão, taxonomia dos assuntos, regra para questões com múltiplos temas e limitações.
Também quero versionar a pesquisa. Se a base mudar, a data da análise e a versão do corpus precisam aparecer. Assim o leitor consegue distinguir um levantamento antigo de uma atualização.
11. O que eu retirei da versão anterior
A versão antiga falava em ‘grande volume de questões’ e em padrões de frequência sem apresentar ali a amostra correspondente. Eu retirei esse tipo de formulação. A partir de agora, afirmação estatística só entra quando a metodologia estiver publicada junto.
12. Fontes primárias que eu priorizo
Para validar comportamento de Windows e Office, priorizo documentação oficial da Microsoft. Para LGPD, uso a Lei 13.709/2018 e materiais de órgãos públicos/ANPD. Para características específicas de uma prova, a fonte ideal é o caderno oficial e o gabarito da banca.
Isso não elimina interpretação editorial; apenas deixa claro o que é fato técnico, o que é observação e o que é inferência.
Sobre o autor: conteúdo elaborado e revisado por Aderson de Carvalho, analista de sistemas, mestre em Computação Aplicada e professor de TI.