Quando eu estudo Informática para uma prova da FGV, eu não começo decorando atalhos ou tentando memorizar uma lista enorme de funções. Eu começo pelo edital, pela versão dos programas citados e por provas anteriores do mesmo perfil de cargo. Isso evita um erro comum: estudar Informática de forma genérica e descobrir tarde demais que a banca está cobrando aplicação prática, interpretação e detalhes de contexto.
A FGV publica provas e gabaritos em seus portais de concursos, e eu recomendo usar esse material oficial como referência sempre que possível. O objetivo não é concluir que um assunto vai cair apenas porque apareceu em uma prova antiga, mas entender como a banca transforma conceitos técnicos em situações de prova.
Como eu enxergo a cobrança da FGV em Informática
Em muitas provas, a FGV apresenta uma situação antes de perguntar o comando, o resultado ou a conduta correta. Isso significa que eu preciso dominar duas coisas ao mesmo tempo: o conceito técnico e a leitura do cenário.
Por isso, ao corrigir uma questão, eu não anoto apenas a resposta. Eu registro quatro pontos: assunto, detalhe decisivo do enunciado, conceito necessário e motivo de cada alternativa errada.
1. Excel: onde eu mais treino raciocínio
No Excel, eu priorizo interpretação de fórmulas, referências, funções e resultado esperado. Uma questão pode mostrar uma planilha e pedir o que acontece quando uma fórmula é copiada. Nesse caso, saber a diferença entre referência relativa, absoluta e mista é muito mais importante do que decorar nomes de menus.
Exemplo: em =A2*$D$1, a referência A2 pode mudar quando a fórmula é copiada, enquanto $D$1 permanece fixa. Eu também reviso SOMA, MÉDIA, SE, E, OU, CONT.SE, SOMASE, MÁXIMO, MÍNIMO, PROCV e funções compatíveis com a versão indicada no edital.
Pegadinha que eu observo: a banca pode trocar uma função que conta por outra que soma. Se o enunciado pede quantidade de registros, CONT.SE pode fazer sentido; se pede soma de valores condicionada a um critério, SOMASE é outra operação.
Questão autoral de exemplo
Uma planilha possui valores em B2:B20 e o usuário deseja contar quantas células possuem valor maior ou igual a 10. Qual fórmula atende diretamente ao objetivo?
A) =SOMA(B2:B20)
B) =CONT.SE(B2:B20;”>=10″)
C) =MÉDIA(B2:B20)
D) =SOMASE(B2:B20;”>=10″)
Gabarito: B. O verbo central é contar. Eu uso essa pista para separar CONT.SE de SOMASE.
2. Word: eu estudo pelo efeito do recurso
No Word, eu não fico preso somente ao nome de cada botão. Eu estudo o que acontece quando o recurso é aplicado: estilos, parágrafo, recuo, espaçamento, cabeçalho e rodapé, quebra de página, quebra de seção, tabelas, revisão, comentários, controle de alterações, localizar e substituir.
Uma distinção importante é entre quebra de página e quebra de seção. A primeira força o conteúdo seguinte para uma nova página; a segunda cria uma nova seção, permitindo alterar configurações como orientação, margens, cabeçalhos ou numeração em partes diferentes do documento.
3. Windows: operações simples podem esconder detalhes
Eu reviso arquivos, pastas, extensões, copiar, mover, renomear, excluir, Lixeira, Explorador de Arquivos, área de transferência e atalhos. Atalhos como Windows+E, F2 e Ctrl+Shift+Esc são úteis, mas eu estudo junto com a função que cada um executa.
Também separo exclusão normal de exclusão permanente. Em condições usuais, Delete envia um arquivo para a Lixeira; Shift+Delete pode ignorar a Lixeira. A questão pode explorar justamente essa diferença.
4. Internet, navegadores e e-mail
Eu reviso URL, domínio, HTTP, HTTPS, DNS, download, upload, cache, cookies, histórico, navegação privada, mecanismos de busca e conceitos de e-mail. Em mensagens eletrônicas, eu diferencio Cc de Cco: Cco oculta dos demais destinatários os endereços inseridos nesse campo.
Também tomo cuidado com navegação privada. Ela pode reduzir rastros locais, mas não torna o usuário invisível para provedores, organizações ou sites.
5. Segurança da Informação
Nessa parte eu estudo confidencialidade, integridade, disponibilidade, autenticação, autorização, backup, criptografia, hash, assinatura digital, phishing, ransomware, vírus, worm e trojan.
Eu faço uma tabela de diferenças porque muitas questões são resolvidas por contraste. Vírus costuma depender de um arquivo ou programa hospedeiro; worm possui capacidade de autorreplicação e propagação; trojan se apresenta como algo aparentemente legítimo; phishing explora engenharia social para induzir a vítima.
Como eu uso provas anteriores da FGV
Eu sigo um processo simples:
- seleciono provas do mesmo nível e, quando possível, de cargos parecidos;
- separo somente as questões relacionadas ao conteúdo do meu edital;
- classifico cada questão por assunto e subassunto;
- registro se a cobrança foi conceitual, operacional ou baseada em cenário;
- reviso os erros depois de alguns dias com novas questões.
Eu evito transformar uma amostra pequena em estatística absoluta. Frequência ajuda a priorizar, mas o edital continua sendo a referência principal.
Como eu corrijo uma questão difícil
Quando erro, eu respondo a cinco perguntas:
- Qual conceito eu não sabia?
- Qual detalhe do enunciado eu ignorei?
- Por que a correta está correta?
- Por que cada errada está errada?
- Que regra curta eu preciso revisar depois?
Isso transforma a questão em material de estudo. Só conferir a letra do gabarito quase nunca é suficiente.
Plano de estudo que eu usaria em quatro semanas
Semana 1: Excel e questões de fórmulas, funções e referências.
Semana 2: Word e Windows.
Semana 3: Internet, e-mail, nuvem e Segurança da Informação.
Semana 4: blocos mistos de questões FGV, caderno de erros e revisão dos tópicos com pior desempenho.
Checklist final
- Consigo interpretar fórmulas do Excel sem executar a planilha?
- Sei diferenciar referência relativa, absoluta e mista?
- Entendo a diferença entre quebra de página e quebra de seção?
- Sei o efeito dos atalhos principais do Windows?
- Consigo diferenciar cache, cookie e histórico?
- Sei distinguir phishing, vírus, worm, trojan e ransomware?
- Estou resolvendo questões da banca e não apenas lendo teoria?
Fontes e próximos passos
Para validar comandos e recursos, eu dou preferência à documentação oficial da Microsoft. Para entender a banca, eu consulto provas, gabaritos e publicações no portal da FGV Conhecimento. Depois deste guia, eu recomendo aprofundar com os conteúdos de Excel para concursos, Segurança da Informação e questões comentadas.