Quando eu estudo uma prova de Informática para concurso, Excel quase nunca é um assunto que eu trato como uma lista de funções para decorar. Eu prefiro enxergar a planilha como um pequeno sistema lógico: existem dados, referências, operadores, funções e regras de cópia. Quando essa estrutura fica clara, grande parte das questões deixa de parecer decoreba.
Neste guia, eu reuni o núcleo que considero mais importante para quem está se preparando para provas da Fundatec e de outras bancas que cobram Microsoft Excel. Meu objetivo aqui não é ensinar tudo o que o Excel faz. É mostrar o que você precisa dominar para interpretar fórmulas, prever resultados, reconhecer pegadinhas e resolver questões com mais segurança.
Uma observação importante: o edital sempre manda. A versão do Excel indicada no conteúdo programático pode alterar recursos e funções disponíveis. Por isso, antes de estudar PROCX, matrizes dinâmicas ou outros recursos recentes, eu verifico qual versão aparece no edital.
1. Antes das funções: entenda como uma fórmula funciona
Toda fórmula do Excel começa com o sinal de igual. A partir daí, o Excel interpreta números, referências de células, operadores e funções.
Por exemplo:
=A1+B1*2
Eu não leio essa expressão apenas da esquerda para a direita. O Excel segue uma ordem de precedência. Multiplicações e divisões são avaliadas antes de adições e subtrações, salvo quando os parênteses mudam a ordem.
Assim, se A1 vale 10 e B1 vale 5, o resultado é 20, porque primeiro temos 5×2 e depois 10+10.
Se a fórmula fosse =(A1+B1)*2, o resultado seria 30.
Esse detalhe parece simples, mas é excelente para questões que apresentam uma fórmula curta e pedem o resultado. Eu sempre recomendo resolver a expressão por etapas, da mesma forma que faria em matemática.
Operadores que eu considero obrigatórios
| Operador | Significado | Exemplo |
|---|---|---|
| + | adição | =A1+B1 |
| – | subtração ou negação | =A1-B1 |
| * | multiplicação | =A1*B1 |
| / | divisão | =A1/B1 |
| ^ | potenciação | =A1^2 |
| % | percentual | =A1*10% |
| & | concatenação de texto | =A1&B1 |
| =, >, <, >=, <=, <> | comparação | =A1<>B1 |
Pegadinha: <> significa diferente. Eu vejo candidatos confundirem com operadores usados em linguagens de programação, como !=. Em Excel, a prova tende a cobrar a sintaxe do próprio aplicativo.
2. Referência relativa, absoluta e mista: um dos pontos mais importantes
Se eu tivesse de escolher um assunto para dominar antes de resolver muitas questões de Excel, seria referência de célula. A razão é simples: a banca consegue criar uma questão aparentemente difícil apenas copiando uma fórmula.
A referência A1 é relativa. Quando a fórmula é copiada, linha e coluna podem se ajustar conforme o deslocamento.
A referência $A$1 é absoluta. O cifrão fixa tanto a coluna A quanto a linha 1.
As referências $A1 e A$1 são mistas:
$A1: coluna A fixa, linha relativa;A$1: coluna relativa, linha 1 fixa.
Exemplo que eu usaria para treinar
Suponha que em C2 exista:
=A2*$B$1
Ao copiar a fórmula de C2 para C3, o resultado será:
=A3*$B$1
A referência A2 muda para A3 porque é relativa. Já $B$1 continua intacta.
Agora imagine que a fórmula seja =$A2*B$1 e seja copiada uma linha abaixo e uma coluna à direita. Eu analiso cada componente separadamente: em $A2, A permanece e a linha muda; em B$1, a coluna pode mudar e a linha 1 permanece.
A documentação da Microsoft confirma que o F4 pode alternar entre os tipos de referência durante a edição da fórmula. Em questões de atalho, eu teria atenção ao contexto, porque F4 também pode aparecer associado a repetição de ação em outros contextos do Office.
3. SOMA, MÉDIA, MÁXIMO e MÍNIMO
Essas funções parecem básicas, mas eu não as desprezo porque são ótimas para questões com intervalos.
=SOMA(B2:B6) soma todas as células do intervalo.
=MÉDIA(B2:B6) calcula a média aritmética.
=MÁXIMO(B2:B6) retorna o maior valor.
=MÍNIMO(B2:B6) retorna o menor valor.
Quando a questão mistura células isoladas e intervalos, eu decomponho os argumentos. Por exemplo:
=SOMA(A1;A3;B1:B3)
significa somar A1, A3 e todas as células de B1 até B3.
Erro comum: interpretar os dois-pontos como se fossem separadores de argumentos. Em uma referência, B1:B3 representa um intervalo contínuo.
4. Função SE: aprenda a ler a lógica, não a decorar a sintaxe
A função SE faz uma comparação lógica e devolve um resultado quando a condição é verdadeira e outro quando é falsa. A forma conceitual é:
=SE(teste_lógico; valor_se_verdadeiro; valor_se_falso)
Exemplo:
=SE(B2>=60;"Aprovado";"Reprovado")
Se B2 for 60 ou mais, o resultado será “Aprovado”. Caso contrário, “Reprovado”.
Quando eu resolvo uma questão com SE, eu sigo três passos:
- identifico o teste lógico;
- decido se ele é verdadeiro ou falso;
- somente então escolho qual argumento será devolvido.
Isso evita se perder em fórmulas grandes.
SE com E e OU
Também é comum combinar condições. Com E, todas as condições precisam ser verdadeiras. Com OU, basta uma condição verdadeira.
=SE(E(B2>=60;C2>=75%);"Aprovado";"Reprovado")
Aqui eu só obtenho “Aprovado” se as duas exigências forem atendidas.
Pegadinha: não confunda a função E com o operador de concatenação &. São ideias completamente diferentes.
5. CONT.SE e SOMASE: a diferença que eu faço questão de memorizar
Essa dupla é perfeita para pegadinha porque as duas trabalham com critérios, mas fazem coisas diferentes.
CONT.SE conta.
=CONT.SE(A2:A20;"Aprovado")
O resultado será a quantidade de células que atendem ao critério.
SOMASE soma.
=SOMASE(A2:A20;"Sul";B2:B20)
Aqui o Excel verifica em A2:A20 quais linhas atendem ao critério “Sul” e soma os valores correspondentes em B2:B20.
Eu costumo gravar assim: CONT.SE pergunta “quantos?”; SOMASE pergunta “quanto somou?”.
Se a prova adicionar vários critérios, eu também lembro da existência de CONT.SES e SOMASES, mas só aprofundo essas funções se o edital e o perfil das questões justificarem.
6. PROCV: entenda os quatro argumentos
PROCV assusta mais pelo tamanho do que pela lógica. A sintaxe básica é:
=PROCV(valor_procurado; matriz_tabela; núm_índice_coluna; [intervalo_pesquisa])
Eu interpreto os quatro elementos assim:
- o que eu quero encontrar;
- em qual tabela vou procurar;
- de qual coluna da tabela quero devolver o resultado;
- se a correspondência será exata ou aproximada.
Exemplo:
=PROCV(E2;A2:C10;3;FALSO)
O Excel procura o valor de E2 na primeira coluna da matriz A2:C10 e devolve o valor da terceira coluna da mesma linha. Como o último argumento é FALSO, a busca é por correspondência exata.
Pegadinha muito importante: no PROCV, o valor procurado precisa estar na primeira coluna da matriz informada. Além disso, se o último argumento for omitido, a correspondência aproximada pode entrar em cena. Eu não ignoro esse quarto argumento.
PROCX: só estudo se fizer sentido para a versão do edital
Nas versões mais recentes do Excel existe PROCX, que consegue procurar em um intervalo e devolver resultado de outro intervalo sem exigir que a coluna de retorno esteja à direita. A Microsoft também destaca que a correspondência exata é o padrão do PROCX.
Por outro lado, a própria documentação informa que PROCX não está disponível no Excel 2016 e 2019. Por isso, eu não misturaria versões. Se o edital menciona explicitamente uma versão antiga, eu sigo a versão prevista.
7. Erros do Excel que podem virar questão
Eu considero muito útil reconhecer os principais códigos de erro porque eles testam compreensão da fórmula.
| Erro | Ideia principal |
|---|---|
| #DIV/0! | divisão por zero ou por referência vazia em contexto de divisão |
| #REF! | referência inválida, muitas vezes após exclusão de célula/linha/coluna referenciada |
| #N/D | valor não disponível ou não encontrado em certas funções de pesquisa |
| #VALOR! | tipo de dado ou argumento incompatível em determinada operação |
| #NOME? | algo na fórmula não foi reconhecido como nome válido |
Uma distinção que eu gosto de lembrar: uma sequência de cerquilhas como ##### pode indicar que a coluna está estreita demais para exibir o conteúdo. Não é necessariamente um erro de fórmula.
SEERRO
SEERRO permite tratar resultados de erro. Exemplo:
=SEERRO(A2/B2;0)
Se a divisão gerar erro, a fórmula devolve 0. Eu teria cuidado com uma questão conceitual: SEERRO pode mascarar vários tipos de erro; ele não corrige automaticamente a causa da fórmula.
8. Classificação e filtro: não são a mesma coisa
Eu separo mentalmente essas duas operações:
- classificar reorganiza a ordem dos dados;
- filtrar restringe temporariamente quais registros são exibidos conforme critérios.
Uma lista pode ser classificada de A a Z, Z a A, menor para maior, maior para menor, por data e até por formatos em determinados cenários. Já o filtro permite exibir somente linhas que atendam às condições definidas.
Pegadinha: filtrar não significa excluir os dados que ficaram ocultos. Eles continuam na estrutura da tabela.
9. Formatação condicional
Formatação condicional altera a aparência das células conforme regras. Eu gosto de lembrar que ela não transforma necessariamente o valor armazenado; ela muda a apresentação conforme a condição.
Exemplos de uso:
- destacar notas abaixo de 60;
- aplicar escala de cores;
- destacar valores duplicados;
- usar barras de dados.
Em questão conceitual, eu verifico se o enunciado fala em alterar o valor ou apenas a formatação visual.
10. Congelar painéis, ocultar e filtrar: três ideias diferentes
Congelar painéis mantém linhas ou colunas visíveis enquanto eu rolo a planilha. Isso não é a mesma coisa que ocultar uma linha, nem que filtrar registros.
Esse tipo de distinção é ótimo para prova porque os comandos podem parecer semelhantes para quem usa Excel apenas de forma básica.
11. Atalhos que eu revisaria antes da prova
Atalhos variam conforme contexto e versão, então eu prefiro estudar os mais estáveis e presentes no ambiente previsto no edital.
| Atalho | Função comum |
|---|---|
| Ctrl+C | copiar |
| Ctrl+X | recortar |
| Ctrl+V | colar |
| Ctrl+Z | desfazer |
| Ctrl+Y | refazer/repetir em contextos compatíveis |
| Ctrl+1 | abrir Formatar Células |
| F2 | editar a célula ativa |
| F4 | alternar referências durante edição de fórmula, em contexto apropriado |
Eu não recomendo decorar dezenas de atalhos sem resolver questões. O melhor é descobrir quais aparecem no histórico da banca e incluir os erros no caderno de revisão.
12. Questão comentada 1: referência absoluta
Considere que a célula C2 contém a fórmula =A2*$B$1. Ao copiar a fórmula para C5, qual será a fórmula resultante?
A) =A5*$B$1
B) =A5*$B$4
C) =$A$5*B1
D) =A2*$B$1
Gabarito: A.
Eu resolvo separando as referências. A2 é relativa e foi deslocada três linhas para baixo, portanto vira A5. Já $B$1 é absoluta e permanece igual.
Pegadinha: enxergar o cifrão e assumir que toda a fórmula fica fixa. O cifrão atua somente na parte da referência em que aparece.
13. Questão comentada 2: CONT.SE ou SOMASE?
Uma planilha contém na coluna A o setor do servidor e na coluna B o valor de uma gratificação. Deseja-se obter o total das gratificações apenas dos servidores do setor TI. Qual função representa melhor a necessidade?
A) CONT.SE
B) SOMASE
C) MÉDIA
D) MÁXIMO
Gabarito: B.
O enunciado quer somar valores da coluna B de acordo com um critério na coluna A. Portanto, SOMASE é a função adequada. CONT.SE serviria para contar quantas ocorrências atendem ao critério, não para somar os valores associados.
14. Questão comentada 3: PROCV
Na fórmula =PROCV(E2;A2:C10;3;FALSO), o número 3 representa:
A) a terceira linha da planilha.
B) a quantidade de correspondências.
C) a coluna da matriz de onde será retornado o resultado.
D) a quantidade de critérios.
Gabarito: C.
O terceiro argumento é o número-índice da coluna dentro da matriz informada. Como a matriz é A:C, A é a coluna 1, B é 2 e C é 3.
Pegadinha: o número não representa a coluna C da planilha de forma absoluta; representa a posição da coluna dentro da matriz escolhida.
15. Como eu estudaria Excel para a Fundatec em 7 dias
Se eu tivesse uma semana para fazer uma primeira passada, usaria um roteiro simples:
- Dia 1: fórmulas, operadores, precedência e referências;
- Dia 2: SOMA, MÉDIA, MÁXIMO, MÍNIMO e porcentagens;
- Dia 3: SE, E, OU e condições;
- Dia 4: CONT.SE, SOMASE e funções por critério;
- Dia 5: PROCV e funções de pesquisa previstas no edital;
- Dia 6: classificação, filtro, formatação condicional, congelamento e atalhos;
- Dia 7: bloco misto de questões e revisão do caderno de erros.
Eu faria teoria curta e prática imediata. Em vez de passar três dias assistindo aulas de Excel antes de resolver qualquer questão, eu colocaria questões desde o primeiro bloco.
16. Meu método para corrigir uma questão de Excel
Ao errar, eu não registraria apenas o gabarito. Eu anotaria:
- qual conceito eu não sabia;
- qual detalhe da fórmula eu interpretei errado;
- se o erro foi de sintaxe, referência, função ou atenção;
- qual regra curta evita repetir o erro.
Exemplo de anotação:
Erro: achei que
$A1fixava a linha.
Correção: o cifrão antes de A fixa a coluna A; a linha continua relativa.
Regra: o cifrão fixa o elemento que vem imediatamente depois dele.
Esse formato é muito mais útil para revisão do que copiar a questão inteira.
17. Checklist de revisão
- Consigo calcular uma fórmula respeitando a precedência dos operadores.
- Sei diferenciar A1, $A$1, $A1 e A$1.
- Sei prever como uma referência muda ao copiar uma fórmula.
- Sei a diferença entre SOMA, CONT.SE e SOMASE.
- Consigo interpretar uma função SE sem me perder nos argumentos.
- Entendo o papel dos quatro argumentos do PROCV.
- Reconheço #DIV/0!, #REF!, #N/D e #VALOR!.
- Sei diferenciar classificar, filtrar, ocultar e congelar painéis.
- Conheço os atalhos básicos previstos no ambiente da prova.
- Consigo explicar por que cada alternativa errada de uma questão está errada.
18. O que eu não faria
Eu não tentaria decorar uma lista enorme de 100 funções. Também não gastaria horas reproduzindo planilhas complexas se a prova cobra principalmente interpretação de fórmulas simples. Meu foco seria o edital, o histórico da banca e os erros que aparecem nas minhas próprias questões.
Eu também evitaria afirmar que uma função “sempre cai” sem levantamento verificável. O que eu consigo fazer com segurança é montar um núcleo de alta utilidade: referências, operadores, funções condicionais, funções por critério, pesquisa, tratamento de dados e recursos da interface. Depois eu ajustaria o estudo conforme as questões reais do concurso-alvo.
19. Fontes oficiais que eu usei para revisar este guia
Para conferir sintaxe e comportamento do Excel, eu prefiro documentação oficial da Microsoft. Consultei especialmente os materiais sobre referências relativas, absolutas e mistas, PROCV, PROCX, CONT.SE, SOMASE e operadores e precedência.
20. Próximo passo
Depois de fechar esse núcleo de Excel, eu partiria para questões. A teoria ganha muito mais valor quando eu vejo exatamente como a banca distorce uma referência, troca uma função por outra ou explora um argumento do PROCV.
Você pode continuar pelas questões comentadas de Informática e pelo guia de Informática do zero.